set 252010
 

Em música, virtuoso é aquele solista que atingiu o mais alto grau de conhecimento e domínio técnico e artístico na execução do seu instrumento. Chucho Valdés,  é  um dos maiores pianistas de jazz do mundo, um virtuoso e, segundo a crítica internacional, o mais versátil de todos.

A primeira vez que ouvi Chucho eu segurei a cadeira para não cair de costas.

Ele nasceu em 1941 em Quivicán, província de Havana, em Cuba. Seu nome é Dionisio de Jesús (Chucho) Valdés Rodríguez. É filho de dois músicos, Pilar e Bebo Valdés. Seu pai é também pianista e uma lenda viva da música cubana.

Contam que uma vez o pai saiu para tocar em um salão de baile em Havana, mas se esqueceu de uma partitura e regressou para buscá-la.  Então ouviu alguém tocar e quando olhou para o piano era ele, Chucho…aos 3 anos de idade, sem que ninguém o tivesse ensinado. Bebo, sem entender, perguntou a Pilar: mas como é possível? E Pilar respondeu: é que quando você toca ele está sempre parado detrás.

Chucho tocou de ouvido até os 5 anos, depois lhe colocaram um professor. Aos nove foi à escola de música. O curso de piano era de 8 anos, mas pelo conhecimento que ele já tinha, entrou direto no quarto ano. Ao terminar seus estudos, Chucho foi ao conservatório estudar música clássica e história da música.

Aos 14 anos começou sua vida profissional na orquestra do pai: “Meu pai fez uma orquestra para que eu aprendesse a escrever para ela, para que aprendesse a tocar debaixo da batuta de um maestro e que melhor maestro que meu papá!”

Olha que delicia esta música. É do CD “Solo, Live in New York”, da Blue Note. Ele mistura melodias conhecidas, inclusive de tango em meio ao jazz e aos ritmos cubanos: é o chamado jazz afrocubano. Ele arrasa ao piano, é um assombro:

Son nº 1

A propaganda para abertura de um festival de Jazz em Singapura dizia, abre aspas: “Ele é uma torneira, um rio, uma enchente de música.”

Caridad Amaro – do  Dvd “Calle 54″

Em 1959, com a revolução cubana, começaram os problemas políticos do pai, Bebo Valdés, que culminaram com sua saída de Cuba, deixando para trás toda a família. Chucho naquela época tinha 19 anos. Começava uma longa e sofrida história que vou contar na próxima semana, com uma matéria especial sobre Bebo Valdés.

Não obstante os percalços do caminho, Chucho seguiu uma carreira brilhante em Cuba, fundou o grupo Irakere, ganhou vários prêmios Grammies, lançou vários discos. Formou uma família e seu filho, Chuchito,  dizem que herdou o talento do pai e do avô no piano. Em 2006, foi nomeado embaixador da boa vontade da FAO/ONU. Uma lenda viva do jazz, e uma discografia indispensável para sua coleção. Ele tem CDs solos e CDs com grupos de jazz.

Olha essa aqui: duas feras se encontrando! Michel Camilo e Chucho Valdés, ao vivo, no Montreax Jazz Festival em 1999. Se estiver ouvindo com fone de ouvido, o canal da esquerda é Chucho e o da direita é Michel:

El Manisero

Na próxima semana, a história de vida do pai, sua carreira fora de Cuba e o reencontro do pai e do filho na música, gravando juntos um CD emocionante, Bebo & Chucho, Juntos para Siempre. Um ano depois gravaram outro CD, desta vez com as tres gerações, Bebo, Chucho e Chuchito em Dinastia Valdés.

Abaixo, uma pequena amostra da discografia de Chucho, que inclui também 3 DVDs:

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  4 Comentários para “Jazz – Chucho Valdés”

Comentários (2) Pingbacks (2)
  1. Meu Deus, como inverti a ordem e ouvi primeiro o segundo artigo, tenho que voltar outra vez a ele depois desse. Que emoção a diferença de interpretação. Dois grandes momentos.

  2. Inveja boa desse cara!
    Ainda não conheci cubano pianista ruim de serviço. Mas esse realmente é o máximo.
    Parabéns e fico aguardando o próximo artigo.

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