out 262010
 

O Desfotógrafo

Vejo tudo agora diferente,
como se o tempo contra o rio
dirigisse e de trás pra frente
eu descrevesse um livro

e cada palavra nele se tornasse
livre e me fizesse livre
e sílaba sílaba toda memória
desaparecesse – sumisse! -

como se, na nossa frente, tudo
o que fomos um dia num passe
de mágica evaporasse num passe
de música, num passo – no ar!

Hoje tudo dá-se a ver sem dor,
limpo, sem um traço de paixão.
Os poemas se apagaram, e, repara
façamos um balanço: de nós

restou não mais que a folha livre
de depois do livro, retrato em
branco em branco.

Eucanaã Ferraz

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  Um Comentário para “Eucanaã Ferraz – O Desfotógrafo”

Comentários (1)
  1. Achei inteligentissimo esse poema. Na verdade, li e reli varias vezes e adorei …. vivenciei isso… de repente.

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