mar 042011
 
Huis Clos

Da vida não se sai pela porta:
só pela janela. Não se sai
bem da vida como não se sai
bem de paixões jogatinas drogas.
E é porque sabemos disso e não
por temer viver depois da morte
em plagas de Dante Goya ou Bosh
(essas, doce príncipe, cá estão)
que tão raramente nos matamos
a tempo: por não considerarmos
as saídas disponíveis dignas
de nós, que, em meio a fezes e urina
sangue e dor, nascemos para lendas
mares amores mortes serenas.

Antonio Cícero

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  2 Comentários para “Antonio Cícero: HUIS CLOS”

Comentários (2)
  1. Uma das músicas que mais gosto da Marina Lima tem letra dele: “Pra começar”: “quem vai colar os tais caquinhos do velho mundo….”
    Mas acho que nos poemas (mais do que nas letras e no jornal) ele consegue articular melhor ainda sua sensibilidade poética com a filosofia, a mitologia – a exemplo do livro “A Cidade e os Livros” do qual este poema aqui está publicado, em que figuras e situações mitológicas aparecem sofrendo sua existência tendo o Rio de Janeiro do século 21 como pano de fundo. Velho e novo mundos conjugados.

  2. Talvez muitos não saibam que o poeta Antonio Cícero é irmão da cantora Marina Lima. Sinto falta das colunas dele de sábado na Folha de São Paulo (revezava com Dráuzio Varella, na última página da “folha ilustrada”) que sempre compro em virtude do destaque à literatura nesse dia da semana. Ele, às vezes, adentrava questões filosóficas profundas, revelando grande conhecimento da matéria.

    Durante a campanha eleitoral, abordou a questão do aborto, dentro de um contexto de controvérsia com outro articulista. Será que isso pode ter motivado o encerramento de sua valiosa contribuição ao periódico ? Não esqueçamos do episódio Maria Rita Kehl …

    Mas, o importante aqui é salientar o vasto conhecimento filosófico do grande poeta e letrista!

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