mar 232011
 
A Colheita
XXII

Esta manhã de outono já se cansou de tanta luz.
Se as tuas canções se tornaram vacilantes e lânguidas,
dê-me um pouco a tua flauta.

Brincarei com ela ao meu gosto.
Vou colocá-la no meu colo, depois tocá-la com
os meus lábios, e depois deixá-la
repousando na relva ao meu lado.

Na solene tranquilidade do
entardecer colherei flores para cobri-la
com pequenas grinaldas. Vou enchê-la de
perfume e adorá-la com a lamparina acesa.

À noite virei ao teu encontro e te
devolverei a tua flauta. Então nela soprarás
a música da meia noite, enquanto a
solitária lua crescente vagueia em meio às estrelas.

Rabindranath Tagore *

Tradução de Ivo Storniolo.

*Rabindranath Tagore (1861-1941)  foi prêmio Nobel de Literatura em 1913.

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  2 Comentários para “Rabindranath Tagore: A Colheita, Poema XXII”

Comentários (2)
  1. Ei, meu amigo, eu acho que sabe sim destas coisas, pois parece que vc busca isto, o que transparece em seus prórprios poemas e trabalhos de psicanálise. Mas gostei muito do seu comentário, entendendo-o assim: como a gente pode se esquecer desta necessidade de amor, viver sem este consolo?

  2. Que poema!!! Como é que eu ja vivi tantos outonos sem saber desta flauta, desta música, deste amor?

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