abr 022011
 
Colhe o Dia, porque És Ele

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa), em “Odes”

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  4 Comentários para “Ricardo Reis: Colhe o Dia, porque És Ele”

Comentários (4)
  1. Lindo poema, e responde à um desassossego inerente ao ser humano: o de não saber se concentrar no presente. E mesmo se com um perfume de desalento estes versos, me parece, devolvem ao ser a autonomia e a liberdade de criar seu tempo. Me fez bem. Obrigada por seu blog, é magnifico!

  2. Errata parcial. Após postar meu comentário acima (dirigido à vc), me dei conta que o autor era um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Sorry

  3. Belo poema o seu. A respeito, lembro-me de uma frase de Bernard Shaw que tem tudo a ver com a primeira estrofe. “You see things as they are; and you say, ‘Why?’ But I dream things that never were; and I say, ‘Why not? (dito pela serpente na peça Back To Methuselah).
    Saudações (vai levar um tempo para passear pelo seu site muito atrativo.

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