abr 252011
 
Dica do leitor Eduardo

Capa do romance de Edney Silvestre (Editora Record, 2009)

Dois garotos, no início dos anos 60, no interior do Estado do Rio de Janeiro, especificamente em uma região (Vassouras) em que se encontram antigas fazendas do ciclo do café do século XIX, gazeando e andando de bicicleta, deparam com o corpo mutilado de uma mulher jovem. É um rito de passagem aí desencadeado.

Assim começa uma narrativa de cunho policial em que os garotos, com o auxílio de um idoso inteligente e espirituoso, se ocupam de fazer algumas investigações (perigosas) por conta própria, em face da falta de empenho da polícia local.

Como pano de fundo, há o retrato de uma sociedade mesquinha, preconceituosa, patrimonialista e cruel. Os vestígios do deplorável sistema econômico escravagista são onipresentes. O relato é vazado numa arguta crítica política e social: as mazelas dos donos do poder, que estão aí desde as caravelas à costa – com pequenas transformações para que, em última análise, tudo continue com sempre foi, na fórmula conhecida de Lampedusa em “Il Gattopardo” – se locupletando e subjugando os mais fracos. Um livro com uma linha antropológica inegável, ainda que tênue.

Edney Silvestre não é articulista, mas repórter, e, curiosamente, no primeiro romance, demonstra segurança, ritmo e, sobretudo, o amor pela literatura. Ora, como é cediço, a formação de um escritor se dá pela leitura, embora haja algumas técnicas; não há uma epistemologia do romance, ou da ficção em geral!

O romance tem uma estrutura engenhosa, com cortes precisos. O autor forjou uma voz própria. A erudição que permeia a obra, e que revela uma atividade de abnegado leitor desse autor, não é demasiada, não é pedante; pelo contrário, enriquece o romance que é digno de elogios e premiações, como efetivamente aconteceu. Quem assiste ao programa “Espaço Aberto Literatura” da GloboNews, já identificava o entrevistador e autor como portador daquela progressiva e maravilhosa compulsão: a bibliofilia.

Neste vídeo, o autor faz a leitura de um trechinho do livro:

E nesta entrevista ele fala sobre o livro:

Clique aqui para ler o primeiro capítulo do livro.

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  3 Comentários para “Romance: SE EU FECHAR OS OLHOS AGORA”

Comentários (3)
  1. Gostei da sugestão. A Colonialidade do Poder ainda impera nesse país pintado de vede e amarelo para alguns, e forjado a ferro e sangue para outros. Vou ler e depois comento.

  2. Fiquei muito feliz em encontrar um site tão bom como este!No mundo digital de hoje poucas pessoas sabem com real sensibilidade criar um site como este.Parabéns, irei com certeza divulga-lo entre os meus conhecidos pois este é um site de verdadeiro valor!

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