mai 172011
 

A estrada não trilhada

Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,
mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
e um deles observei até um longe declive
no qual, dobrando, desaparecia…

Porém tomei o outro, igualmente viável,
e tendo mesmo um atrativo especial,
pois mais ramos possuía e talvez mais capim,
embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,
os tivesse marcado por igual.

E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos
de folhas que nenhum pisar enegrecera.
O primeiro deixei, oh, para um outro dia!
E, intuindo que um caminho outro caminho gera,
duvidei se algum dia eu voltaria.

Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,
nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:
a estrada divergiu naquele bosque – e eu
segui pela que mais ínvia me pareceu,
e foi o que fez toda a diferença.

#Tradução: Renato Suttana*

Robert Frost (1874 – 1963)

The road not taken

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I-
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

 

*O tradutor Renato Suttana (n. 1966) é professor universitário e autor de Uma poética do deslimite: o poema como imagem na obra de Manoel de Barros (dissertação de mestrado, PUC-MG, 1995) e dos livros Visita do fantasma na noite (poesia, 2002), O livro da noite (prosa, 2005) e João Cabral de Melo Neto: o poeta e a voz da modernidade (São Paulo: Editora Scortecci, 2005) e Bichos (poesia, 2005, ed. integralmente ilustrada por NS).

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  18 Comentários para “Robert Frost – A estrada não trilhada”

Comentários (13) Pingbacks (5)
  1. Em 20 versos, só os três últimos fazem sentido. E um sentido meio que vulgar, tipo filosofia de almanaque.
    Vejamos o oitavo verso: “Because it was grassy and wanted wear”.
    Nem o Smithsonian Institute entendeu, e o Yahoo recebeu muitas perguntas dos perplexos leitores de língua inglesa.
    Aqui na lusofonia, quatro traduções para o mesmo verso, que fala de uma das duas estradas pelo poeta vislumbradas (rimou!):
    Renato Suttana: “Pois mais ramos possuia e talvez mais capim”.
    Rviais: “Porque tinha erva e pedia uso”.
    Rviais (com possível correção); “Porque tinha grama que pedia uso”.
    Rublefish: “Pois estava coberta de grama precisando ser gasta”.
    Bê Santana: “Porque era gramada e tão procurada”;
    Bê Santana: “Porque era gramínea, usada e preferida”.
    Como se vê, esse verso é apenas um exercício de encaixa-palavras. E as duas palavras (wanted wear) estão muito mal encaixadas, fazendo desse poema uma deplorável (embora negada) peça modernista, com o nihilismo perplexo dos anos pós Grande Guerra.
    Maus poemas geram interpretações ridículas! Tentem outro Robert, o Browning!…

    • Eu achei interessante você fazer toda uma pesquisa só para criticar um poema e apagará analisoque as pessoas não ligam para a colocação das palavras ou a tradução delas. Elas continuam gostando do poema por causa da ideia que ela nos entrega então eu gostaria de corrigir que não á negação quanto ao poema ser deplorável ou não. Ele é admirável pelo seu propósito e não pela sua construção.

  2. ACHEI BACANA, MUITO INTERESSANTE, NEM LI

  3. Legal Parabéns pelo trabalho! Percebi que o poema trabalha em ralação a nossa pro´pria vida os caminhos a serem seguidos, lembranças de tudo aquilo que não volta mais

  4. Belo poema, ainda mais em seus traços originais -que eu particularmente prefiro-. Parabéns e obrigado por disponibilizar.

  5. sensacional…olhando para traz vejo que estive em uma situação igual a esta e ao tomar o caminho menos percorrido me destaquei da maioria que segue a onda.

  6. Percebi divergência de redação no texto que publicastes: em vez de ” Oh, I marked the first for another day “, no original consta ” Oh I kept the first for another day ”

    And both that morning equally lay
    In leaves no step had trodden black.
    Oh, I kept the first for another day!
    Yet knowing how way leads on to way,
    I doubted if I should ever come back…

    às vezes uma palavra faz toda a diferença!

  7. eu queria o poema de Robert Frost juventude livre,mas nao estou achando gostaria que mandasse pra mim.

  8. Poeta e poema muito bem lembrados.
    Meu encontro com Frost.
    Em 1989, no ano da queda do muro de Berlin, recebi um convite sedutor para trabalhar na Europa. Entretanto, eu havia recém recebido outra posposta, pela ONU, para uma missão na Guiné Bissau. Data dessa época minha re-leitura do The Road Not Taken. Eu e o bardo decidimos por tomar a estrada “less traveled by”, no meu caso, a Guiné Bissau… “e isso fez toda a diferença”.
    Abs e parabéns belo novo visual

  9. MUITO BOM ,ORIGINAL E TRADUÇÃO DA POESIA DE ROBERT FROST;ASSIM PODEMOS INTERPRETAR COMO QUEREMOS . PARABENS. LUCIA

  10. Bela tradução! Mas é muito rico conhecer o poema também na língua original… Reparei que costuma postar os dois, e agradeço a oportunidade de poder apreciá-los duas vezes =)

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