jun 042011
 
A Queda

Se te dizem que caí
É porque caí.
Verticalmente.
E com horizontais conseqüências.
Sou, do ângulo reto
somente os lados.
Ignoro a arte monumental do viés,
essa torção ornamental do herói
que faz do seu cair um salto.
Esse looping do mártir que, ascendendo
Abandona a vítima
E sobrevoa seu próprio tormento
não é minha especialidade. Eu, quando caio,
caio.
Não há parábola
Nem ar, nem força de sustentação.
Um deslize: espero. Chego ao solo
pela rota mais breve.
Uma avalanche, uma pedra,
uma viga que dinamitaram.
No há astúcias do corpo em minha descida.
Se sobrevive: o fundo
do abismo é mais brando
para quem não voa, só cai.
Se lhe dizem que caí,
Não venha
Ensinar-me aerodinâmica revisionista.
Não me conte dos que caíram vencendo.
Não venha me dizer
que não crê que foi um acidente.
Minha única crença é no acidente.
A única sabedoria do universo
é derrubar-se sem nenhum motivo,
é desmoronar-se porque sim.

Beatriz Vignoli *

Tradução de Adriana Rapeli.

* Beatriz Vignoli (1965) é uma poetisa, escritora, tradutora e crítica de arte argentina. Publicou “Proesía” (Rosario, 1979), “Almagro” (EMR; Rosario, 2000), “Viernes” (2001), “Itaca” (Rosario, 2004) e “Antología Personal”. Colabora desde 1980 em diversas revistas de poesia. Várias antologias contém poemas seus, entre elas “Señales de la nueva poesía argentina”(Llibros del Pexe, Gijón, 2004) , “Los poetas interiores” (Amargord, Madrid, 2006) e “Bengala” (Bajo la luna, Buenos Aires, 2009)

La Caída

Si te dicen que caí
es que caí.
Verticalmente.
Y con horizontales resultados.
Soy, del ángulo recto
solamente los lados.
Ignoro el arte monumental del sesgo,
esa torsión ornamental del héroe
que hace que su caer se luzca como un salto.
Ese rizo del mártir que, ascendiendo
se sale de la víctima
y su propio tormento sobrevuela
no es mi especialidad. Yo, cuando caigo,
caigo.
No hay parábola
ni aire, ni fuerza de sustentación.
Un resbalón: espero. Al suelo llego
por la ruta más breve.
Un alud, una piedra,
una viga a la que han dinamitado.
No hay astucias del cuerpo en mi descenso.
Se sobrevive: el fondo
del abismo es más blando
para quien no vuela, sólo cae.
Si te dicen que caí,
no vengas
a enseñarme aerodinámica revisionista.
No me cuentes de los que cayeron venciendo.
No vengas a decirme
que no crees que haya sido un accidente.
En lo único que creo es en el accidente.
Lo único que sabe hacer el universo
es derrumbarse sin ningún motivo,
es desmoronarse porque sí.

Beatriz Vignoli (Viernes – Bajo la luna, Buenos Aires, 2001)

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  3 Comentários para “Beatriz Vignoli – A Queda”

Comentários (3)
  1. LINDOS POEMAS!

  2. DE MUITO BOM GOSTO AS POESIAS ESCOLHIDAS.LUCIA

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