jul 222011
 
Dica de Luiza Casaburi

Filme do cineasta japonês Akira Kurosawa, Sonhos trata – em sua maior parte – da natureza e sua relação com o egoísmo humano, da destruição imposta a si mesmo e ao planeta.

São oito episódios, alguns sobre as experiências vividas pelos japoneses após a 11 Guerra Mundial, como O Túnel. O trauma das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, por exemplo, é nítido nos episódios O Demônio Chorão e Monte Fuji em Vermelho. Este último, apesar de tratar de um assunto pesado, tem belas imagens formadas pelas nuvens de radioatividade coloridas (O Amarelo do Estrônio 90, o violeta do Césio 137 e o vermelho do Plutônio 239).

O fascínio do diretor pelo pintor Vincent Van Gogh também está presente. É retratado em Corvos, no qual um homem, ao admirar um quadro do artista, é levado para dentro da obra. Além de passear pelas pinturas do ídolo ao som do piano (música original de Shinichirô Ikebe, com o pianista Ikudo Endo), recebe uma lição de pintura do holandês: só é capaz de pintar aquele se envolve com a natureza, que a admira e segue a beleza que ela tem a oferecer.

Outro capítulo marcante é Pomar de Pêssegos. Levado por uma estranha força ao local onde ficava o pomar de pêssegos de sua família, um garoto encontra o imperador japonês e seus súditos numa espécie de morro cortado em patamares – o que remete à tradicional hierarquia japonesa. Eles estão preparados para dançar e celebrar “O Dia da Boneca”, ou seja, o florescimento dos pessegueiros, pois os bonecos representam os espíritos das árvores. Porém todas foram cortadas e não há mais o que celebrar. Acusado de egoísta pelo imperador, o garoto puro chora a morte das árvores. Como prova de comoção eles dançam uma calma e sincronizada dança. Nesse momento começa a chover pétalas de flores de pêssego e no local em que estavam as pessoas surgem lindas árvores floridas.

Além desses, Sonhos ainda traz os episódios O Sol em meio à Chuva, A Nevasca e Povoado de Moinhos – este último com uma mensagem aos seres humanos capitalistas. Um velho sábio fala ao moço da cidade grande sobre as coisas que considera as mais importantes na vida de uma pessoa: a água e o ar puro.

De que adianta tanto conforto proporcionado pelas invenções da modernidade, se não há mais paz e se as pessoas esqueceram que preservar a natureza é fundamental? O filme termina com uma lição: um cortejo festivo para celebrar a morte de uma senhora de 99 anos – afma!, nada mais justo do que se despedir de uma pessoa que viveu muito bem e de forma completa com dança e música.

Título Original: Akira Kurosawa’s Dreams / Yume
Gênero: Drama
Origem/Ano: JAP-EUA/1990
Duração: 119 min
Direção: Akira Kurosawa / lshirô Honda

Artigos relacionados:

  9 Comentários para “Sonhos – Akira Kurosawa”

Comentários (9)
  1. Gostaria de saber a classificação indicativa desse filme, quero indicar aos meus alunos, mas não estou encontrando.

  2. Boa tarde Luigi! No final de 2012, como requisito para me formar na pós-graduação do Instituto Junguiano da Bahia (IJBA), fiz uma monografia sobre o filme “Sonhos” (1990) de Akira Kurosawa. Analiso o impacto do shintô e do zen budismo na religiosidade nipônica e como isso relaciona com os simbolismos do filme, além de certos detalhes biográficos da vida do diretor. Faço também relações arquetípicas com outras culturas, que vão desde os contos de fadas europeus até os nossos orixás.

    Se tiver interesse em ler o meu trabalho e trocar uma ideia depois, vai aqui o link pra download do arquivo: http://www.academia.edu/4248750/_Vi_um_Sonho_Assim_os_Sonhos_de_Kurosawa_interpretados_pela_Psicologia_Analitica

  3. boa noite estou fazendo um trabalho sobre este filme estou louca pelo capitulo Sonhos.
    estou adorando

  4. Amo esse filme. Já vi mais de 10 vezes!

  5. Este documentário e maravilhoso, de ensinamentos profundos pra a vida e para nossas práticas diárias em relação a natureza e em relação as pessoas. Uso este documentário nas aulas de Geografia, desde a decada de 1990, tanto no Ensino Fundamental e Médio como no Curso de Licenciatura de Geografia. Recomendo a todos. É um ótimo recurso didático.

  6. Infelizmente nos perdemos pelo caminho,o pior é que não vejo saida….O belo sempre estara ligado a natureza e Kurosawa sempre foi e será um dos maiores.Belo site

  7. Obrigada Luigi,sinto-me lisongeada. Muito sucesso ao Entreculturas.com.br

 Escreva um comentário

(requerido)

(requerido)

Você pode usar estas HTML tags e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>