set 242011
 
Meditação à Beira de um Poema

Podei a roseira no momento certo
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela, vi-a,
como nunca a vira,
constelada,
os botões,
alguns já com o rosa-pálido
espiando entre as sépalas,
jóias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com o limite do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizaram-se
diante do recorrente milagre.
Maravilhosas faziam-se
as cíclicas perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro.

Adélia Prado

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  2 Comentários para “Adélia Prado: Meditação à beira de um poema”

Comentários (2)
  1. Lindo.Reflete toda a sua luz interna. Sempre brilhaste, ainda que não soubesses, ou admitisse. Parabéns por continuares. Agradeço por projetar em minha alma tudo de bom. Deus te proteja e continue a te iluminar. Um abraço de teu fã.

  2. Lindo, lindo, lindo,…

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