out 122011
 

Flamboyants

Sim, havia ardentes flamboyants
Sob o céu então azul de Outubro.
Sempre em Outubro me recordo

E é deste modo que me lembro
Da terra quente, dos insetos,
As raras nuvens, chuvas súbitas.

E havia mesmo em meu caminho
As belas árvores em flama,
Ramos de flores encarnados.

Os longos galhos sobre as ruas,
Calçadas rotas por raízes,
Compridos favos como espadas.

Havia sim ladeiras íngremes
Onde eu menina sempre andava
Lava corrente em meu rosto.

Fervia o calor, brilhando o asfalto.
E a fulgurante visão, tudo
No ritmo solar das cigarras

Havia em mim ânsia de vida
Os pés inquietos, sem compasso,
Nas mãos prelúdios de existir.

O que eu queria ainda criança?
Pois se havia sonho, era somente
Sede do estado sem mar, fome

De alguém como eu, vinda das Minas
Lá do sertão imenso, dentro
Buscando a pressa de vagar.

Depois poder voltar pra casa,
Pisar descalça em chão sagrado
Deitar o corpo à sombra calma

E ouvir atenta o ruído fundo
Centro do mundo, o pulso, a chama
Os galhos, flores e sementes.

Adriana Rapeli

*Foto de Maria Hsu (sob licença CC)

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  3 Comentários para “Adriana Rapeli: Flamboyants”

Comentários (3)
  1. Conforme leio os versos, visualiso as cenas …. lindo, minha amiga, muito lindo! Parabéns

  2. Obrigada, Edival – com você, saúdo a amizade que muito prezo.

  3. Feito outubro, saúdo os flamboyants, suas cores, seus versos e a poeta Adriana Rapeli que eu desconfiava e agora sei.

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