jul 082012
 

ex
trair
do tempo improvável, do improvável,
de suas maquinações, ações,
do ato regular que se dissipa em método, todo
hábito que habito, repito,
da meta inalcançável que me fita, cripta
do incontável número dos dias vividos, idos,
da inumerável cota dos dias por vir, ir,
da engrenagem que não pára, dispara,
sacode o chão que piso, piso
de um ônibus em movimento, momento
em que me agarro ao cilindro de metal do alto

-

a vida

-

não a que resta ainda, indo,
mas a que transborda de cada ar expirado, inspirado,
até que arrebente, vente

Arnaldo Antunes (2012)

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  2 Comentários para “Arnaldo Antunes: Extrair”

Comentários (2)
  1. Arnaldo Antunes, se não é o maior poeta da sua geração, é com certeza um dos mais interessantes. Ele faz transbordar poesia das palavras que surgem e evocam coisas simples e passageiras, coisas sem grande importância, mas que eriçam…

  2. Que bela homenagem à vida que transborda, às vezes.

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