fev 252013
 
Por Luigi

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Uma vez Johannes Brahms escreveu uma carta para Clara Schumann sobre  o movimento final da Partita nº 2 em Ré Menor de Bach,  BWV 1004, comumente conhecida como Chaconne. Bach explorou, com essa peça, todas as técnicas conhecidas à época para tirar o máximo do violino.  Ainda é, até hoje, uma das peças que mais exigem técnica e musicalmente do instrumentista. Brahms disse o seguinte (traduzi um tanto literalmente):

Em uma pauta, para um pequeno instrumento, o homem descreve um mundo inteiro, dos mais profundos pensamentos e dos mais poderosos sentimentos. Se eu imaginasse que eu poderia ter criado, ou até mesmo idealizado a peça,  eu estou bastante certo que o excesso de excitação e a forte comoção teriam me levado à loucura.

Para apresentar propriamente Gil Shaham, começo com esse vídeo da Chaconne de Bach, em uma interpretação impecável:

Partita N°. 2 BWV 1004 – Chaconne  (Ciaccona)

Shaham nasceu nos EUA, em Urbana, em 1971, durante o período em que seus pais, cientistas israelenses, estudavam na Universidade de Illinois. Seu pai, Jacob Shaham, era astrofísico e sua mãe, Meira Diskin, citogeneticista. Desta mistura astrogenética nasceram não um, mas dois músicos talentosos: Gil e sua irmã, a pianista Orli Shaham.

A família retornou a Jerusalém quando Gil tinha dois anos. Com sete anos Shaham começou a tomar aulas de violino. Com nove, já conhecia o grande violinista Isaac Stern. Aos 10 anos se apresentou com a Philarmônica de Israel sob a regência de Zubin Mehta. Em seguida foi admitido na Juilliard School de Nova York e, com apenas 18 anos de idade, foi chamado pela Orquestra Sinfônica de Londres para substituir, em uma série de concertos, nada menos que um dos mais conceituados violinistas do nosso tempo, Itzhak Perlman, que estava adoecido. Olha a responsabilidade que ele teve!

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Seu sucesso interpretando dois belíssimos e desafiadores concertos: Bruch e Sibelius,  lhe renderam um empréstimo da Stradivarius Society of Chicago, de um violino Stradivarius: the “Comtesse de Polignac” de 1699, considerado como de “longo padrão” (os violinos construídos por Stradivari entre 1690 e 1700 eram ligeiramente mais longos, com um som um pouco mais quente).

A primeira vez que vi e ouvi Gil Shaham foi interpretando Fantasia de Carmem, de Pablo de Sarasate, com a Filarmônica de Berlim, sob a regência de Claudio Abbado. Shaham é um daqueles virtuosos que parecem ter uma habilidade sobre-humana, um diabólico na tradição de Paganini. Pertence ao seleto grupo dos melhores violinistas contemporâneos, da mesma geração de  Maxim Vengerov e Joshua Bell. Depois desse vídeo, creio que não seja preciso dizer mais nada sobre ele:

Pablo de Sarasate, Carmem Fantasy, op. 25, Partes I e II:

Esse concerto está no DVD “Berlin Philarmonic New Year’s Gala 97″, da Art Haus Musik. Agora é com vocês explorar toda a imensa discografia disponível de Gil Shaham. Não tem nenhum CD, DVD ou Bluray de Shaham que não valha a pena comprar. Todas as gravações são excepcionais, obras primas para serem deixadas de herança para os filhos.

Aqui, Shaham interpreta outra belíssima música de Sarasate, ao piano e violino:

Pablo de Sarasate, Zigeunerweisen

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  2 Comentários para “Gil Shaham”

Comentários (2)
  1. Maravilhoso,se o governo brasileiro divulga-se as musicas clássicas o pais não seria tão pornográfico.

  2. Bom dia , fantastico , parabéns , sucesso

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