abr 212013
 

[O sol é grande, caem co’a calma as aves,]

Recitado pelo ator Nilson Muniz

 

O sol é grande, caem co’a calma as aves,
do tempo em tal sazão, que sói ser fria;
esta água que d’alto cai acordar-m’-ia
do sono não, mas de cuidados graves.
Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
qual é tal coração qu’em vós confia?
Passam os tempos vai dia trás dia,
incertos muito mais que ao vento as naves.

Eu vira já aqui sombras, vira flores,
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d’amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
também mudando-m’eu fiz doutras cores:
e tudo o mais renova, isto é sem cura!

Sá de Miranda (1481-1558)

Obras Completas – volume I
Francisco de Sá de Miranda; texto fixado, notas e prefácio de Rodrigues Lapa
Livraria Sá da Costa Editora

 

Outros declamadores:

 Inês Jacques, coreógrafa

Ana Celeste Ferreira, Cantora lírica

Mariana Reis, Estudante de Teatro

 

Um poema por semana é uma série criada pela Rádio Televisão Portuguesa e foi transmitida durante 75 dias em três inserções diárias. Segundo a RTP: “Cada poema durou uma semana e contou com 75 diseurs, um por dia: homens e mulheres, novos e velhos, portugueses e brasileiros e angolanos e italianos falantes de português. Todos eles declamaram o poema à sua maneira, de forma mais ou menos extensa, mais rápida ou mais lenta, a sorrir e a cantar ou quase a chorar. Todos contribuíram com um pouco de si e mostraram-nos o que estava escrito nas entrelinhas, espalhando sonho e inspiração, que o público caracterizou de “um oásis no deserto”.”

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  Um Comentário para “Um Poema por Semana: Francisco Sá de Miranda”

Comentários (1)
  1. Gostei muito. Tudo muda, isto é sem cura…

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